A verdadeira motivação: o que realmente nos impulsiona?

Muitas vezes, discursos inspiradores, eventos impactantes ou líderes carismáticos despertam em nós um entusiasmo genuíno e a sensação de que somos capazes de agir e transformar nossa realidade. Mas por que essa energia desaparece tão rápido? O que realmente nos mantém motivados a longo prazo? No momento, essas experiências podem gerar uma grande onda de energia e entusiasmo. No entanto, essa sensação é passageira. A motivação duradoura e consistente não vem de fora – ela é, essencialmente, intrínseca.

PARA VOCÊ

Tércio Barelli

3/9/20253 min read

silhouette of person jumping during dawn
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O efeito passageiro dos estímulos externos

Esse fenômeno pode ser explicado pela forma como nosso cérebro reage a estímulos externos. Quando somos impactados por uma palestra motivacional ou um evento transformador, experimentamos uma liberação momentânea de neurotransmissores como dopamina e adrenalina. Isso gera uma sensação intensa de empolgação e otimismo, que pode impulsionar ações imediatas. No entanto, sem um propósito interno sólido e uma estrutura que sustente esse entusiasmo, o efeito se dissipa rapidamente, e voltamos ao nosso estado anterior. Esse ciclo explica por que tantas pessoas saem de eventos inspiradas, mas não conseguem manter esse nível de energia no dia a dia.

O que realmente mantém a motivação?

No contexto profissional, essa visão é bem explorada por Daniel Pink em seu livro Motivação 3.0. Segundo ele, a motivação só pode ser sustentada quando alguns fatores essenciais estão presentes. Antes de tudo, há um pré-requisito inegociável: a questão financeira precisa estar resolvida. Se um profissional sente que sua remuneração não é justa em relação ao seu papel, experiência ou habilidades, dificilmente conseguirá acionar sua motivação interna. Nesse caso, a melhor opção é renegociar seu salário ou buscar novas oportunidades.

No entanto, uma vez que essa necessidade financeira básica é atendida, estímulos financeiros adicionais não são capazes de aumentar a motivação de forma sustentável. As pesquisas relatadas no livro demonstram que bônus e premiações financeiras podem gerar um aumento temporário no desempenho, mas não criam um engajamento duradouro. O verdadeiro combustível da motivação está em fatores não monetários, que ativam a motivação intrínseca.

Com essa base atendida, a motivação se apoia em três pilares fundamentais:

1. Autonomia: o poder de escolha

Motivação e controle excessivo não combinam. Pessoas altamente motivadas precisam de liberdade para decidir como, quando e onde realizar seu trabalho. Ambientes que sufocam a autonomia, com microgestão e falta de confiança, acabam por minar o engajamento. Por outro lado, oferecer espaço para a criatividade, a inovação e a responsabilidade fortalece o senso de dono e a vontade de contribuir genuinamente.

2. Maestria: o desejo de ser melhor

O segundo fator essencial para a motivação é a busca pela excelência. Quando um profissional sente que está em constante aprendizado, superando desafios e aprimorando suas habilidades, sua motivação se fortalece. Por outro lado, quando há estagnação, tédio ou falta de desafios, a tendência é perder o interesse. Organizações que incentivam o desenvolvimento contínuo, oferecendo treinamentos, feedbacks construtivos e oportunidades de crescimento, criam um ambiente onde a motivação floresce naturalmente.

3. Propósito: o significado no trabalho

Trabalhar apenas por um salário raramente é suficiente para sustentar a motivação a longo prazo. Precisamos de propósito, da sensação de que nosso trabalho tem um impacto real e contribui para algo maior. Empresas e líderes que comunicam claramente a importância do trabalho e criam uma cultura baseada em valores e missão conseguem engajar seus times de forma muito mais profunda.

Conclusão: a chave para uma motivação verdadeira

A motivação é um fenômeno interno, mas o ambiente pode potencializá-la ou bloqueá-la. Se você sente que sua motivação está em baixa, reflita sobre esses três fatores:

  • Você tem autonomia para fazer seu trabalho?

  • Está se desenvolvendo continuamente?

  • Consegue enxergar propósito no que faz?

Da mesma forma, líderes e empresas que desejam equipes mais engajadas precisam criar um ambiente onde esses elementos possam prosperar. Quando isso acontece, a motivação deixa de ser um esforço constante e se torna um estado natural de alta performance e realização.